Violência obstétrica: saiba o que é e como evitar

Como o próprio nome já diz, violência obstétrica é toda a prática de condutas e procedimentos sem o consentimento da gestante, que agridam a mulher na hora do nascimento, pré ou pós parto, e também atos verbais que ataquem o psicológico da mulher ou sejam agressivos.

O fato de submeter a gestante a procedimentos e rotinas que são desnecessários, que desrespeitem a mulher e seus tempos naturais, impedindo de praticar seu protagonismo é um ato de violência.

Segundo os dados da pesquisa Nascer no Brasil, apenas metade das mulheres dá à luz de acordo com as boas práticas obstétricas, constatando ainda que a chance de partos sem intervenções médicas é de apenas 5%. Essa porcentagem não é boa, já que os partos são atos naturais biológicos, feitos para ocorrer normalmente, com o mínimo de intervenções médicas possíveis.

Principais ocorrências de violência obstétrica

Algumas ocorrências podem ser caracterizadas como violência obstétrica. Abaixo listamos algumas delas:

  • Exigência de jejum ou restrição de dieta na hora do parto:

Desde que o parto esteja acontecendo de forma natural, com um bom andamento do processo, sem intercorrências iminentes, não há porque deixar a gestante em jejum.

O parto é um processo que exige força e energia, recomendando que seja feita uma dieta leve. Em alguns casos, onde o parto não está evoluindo e possa existir a possibilidade de cesária, a gestante deve permanecer em jejum para que não haja risco de broncoaspiração durante a cirurgia. Porém, isso deve ser explicado à gestante, para que ela esteja ciente.

  • Uso de ocitocina:

A ocitocina estimula a contração uterina a fim de acelerar o processo do parto normal, mas não deve ser usada de forma rotineira.

Deve ser avaliado o andamento do parto, e se estiver tudo ocorrendo bem, no seu tempo, não há necessidade de seu uso. Muitos médicos querem acelerar o parto, e acabam por optar pelo uso da medicação. Se não for do consentimento da mãe, pode ser considerado violência.

  • Episiotomia:

Muito falada como a principal violência obstétrica, a episiotomia é uma incisão realizada entre o períneo e o ânus, a fim de aumentar o canal vaginal para melhor saída do bebê. É uma forma agressiva, e muito praticada pelos médicos antigos e atuais.

Se não for da vontade da gestante que seja realizada a episiotomia e houver, sem a real necessidade, pode ser considerado violência obstétrica.

  • Manobra de Kristeller:

É a manobra onde deve-se pressionar a parte superior do útero para acelerar a saída do bebê. É uma técnica bem agressiva e dolorosa, que pode causar traumas para a mãe e o bebê.

  • Impedir expressões verbais, posições para parir e a negação de medicações para dor:

O parto é um procedimento doloroso, que exige paciência. A gestante precisa expressar sua dor numa forma de alívio, e a maioria acaba por expressando com gemidos e até gritos. A gestante não deve ser impedida de expressar sua dor de forma verbal.

O parto é algo particular da gestante, e ela é quem deve escolher a melhor posição para parir, salvo se houver complicações que exijam a posição horizontal deitada. Não oferecer medicações e formas de alívio da dor também é uma forma de violência, pois toda gestante tem direito a métodos para amenizar a dor e poder vivenciar o parto de forma humanizada.

Existem outras formas de violência obstétrica como negar a presença de acompanhante, realizar lavagem intestinal, incentivar a tricotomia dos pelos pubianos antes do parto, toques vaginais em excesso e sem consentimento, omissão de informações e desconsideração de opinião da gestante, divulgação de informações que possam ofender sua imagem, impedir o contato pele a pele após o nascimento (salvo mediante a alguma intercorrência) e realizar o “ponto do marido”, onde é feita a sutura da episiotomia de forma mais apertada após o parto.

Para se evitar as violências obstétricas, é importante que a gestante crie um plano de parto, evidenciando nele suas vontades e o que não quer que ocorra no seu parto.

Violência obstétrica – Saiba o que fazer!
Se informe e não permita que aconteça com você!

Recomendado pela OMS, serve também como guia médico e prova para o caso de futuros processos. Quanto maior o conhecimento da gestante, menor são as chances de sofrer violência obstétrica. Por isso é importante a orientação e a busca por informações durante o pré-natal.

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